Histórico

A CASA DA CULTURA: UM HISTÓRICO NECESSÁRIO

Elias José

O ano em que começou a Casa da Cultura? Não sei bem se foi 84 ou 85, pois, não houve nem divulgação imediata da ideia. Em aulas no curso de letras, todos nós, professores, falávamos aos jovens das coisas boas que a cidade tinha e perdia. Eram jornais, revistas, teatro, cinema, orquestras e conjuntos, um dinâmico grupo de escritores e professores de música. Uma cidade com tantos talentos, como Guaxupé, estava pobre de vida cultural. Várias perguntas eram levantadas, tentando detectar as causas do “Miserê cultural”, como diz o escritor João Antonio em relação ao Brasil.

Um dos alunos de letras, dos mais atentos e inconformados, Nino Sérgio de Rezende, certa noite, foi paralisando aulas com um convite aos professores e alunos para uma reunião, sem metas muito bem delineadas. De todos os convidados a jornalista Sílvia Maria Matos de Sá, as professoras Nesmar Brazão, Iracema Elias, Cecília Ribeiro do Valle, os estudantes Edélcio Smargiassi, Marcos David, o próprio Nino e eu. Discutimos, na ocasião a cultura da cidade. Levantamos a necessidade de ficar claro para todos, primeiro, o que entendíamos por cultura. Já, nesse primeiro momento, víamos com clareza que não estávamos presos a um conceito restrito e pobre, que só privilegiasse a cultura erudita. Com o convívio com as teorias do mestre Paulo Freire, sabíamos que cultura era toda manifestação humana no sentido de transformar a realidade. Se queríamos fazer um movimento cultural na cidade não poderíamos deixar de lado tanto as Belas Artes como os pintores primitivos, tanto professores e alunos de piano e violão como os tocadores da autêntica moda de viola, tanto a sofisticada e bela Festa das Orquídeas como as atividades culturais, com nomes de pessoas envolvidas nelas. Seria um primeiro passo para sabermos quem convidar para uma segunda reunião. Como nos faltava espaço, optamos por envolver poucas pessoas em um primeiro momento. E assim vieram as primeiras reuniões, também na FAFIG, que acabavam sempre com uma auto-crítica, apontando para a necessidade de mais ação e menos “blá-blá-blá”.

Desde 1983, vinha apresentando-se, com sucesso, em Guaxupé e região, o Coral viva voz, sob a regência de Dilce Salgado e com a participação de vinte e cinco vozes femininas e treze masculinas. Era natural que se unissem as forças do Coral “Viva Voz” e da Casa da Cultura de Guaxupé (nome já definido nas primeiras reuniões).

Como não tínhamos sede própria e também porque queríamos um primeiro encontro bastante informal e amigo, marcamos uma noitada no bar e restaurante Chalé. Assim, em uma noite de agosto de 1986, a Casa da Cultura estava fortalecida e com muitas metas e sonhos.

Como o intuito de conseguirmos uma sede própria, um grupo escolhido em reunião procurou o então prefeito municipal, Dr. Felipe Nery Monteiro da Silva.  Sonhávamos com o prédio todo da antiga Prefeitura à rua Cel. Antônio Costa, 55. Pensávamos em fazer funcionar a Biblioteca Pública de demais salas e um pequeno Museu para preservação da Memória Histórica de Guaxupé, oficinas de arte e artesanato e até um mini-teatro. Para nossa frustração, tivemos que cortar as asas e nos contentarmos com uma saleta após a entrada, que dividíamos ainda com a Inspetoria de Educação. Não havia nenhum arquivo, só algumas poucas cadeiras e, quando a reunião era mais freqüentada, tínhamos que ficar de pé ou sentar no chão. Mas o nosso sonho estava se fortalecendo e sabíamos o que teríamos de enfrentar, mas que valia a pena lutar pela Cultura Guaxupeana.

Com a finalidade de transformar a Casa da Cultura em entidade registrada no MINC, em abri de 1987, na sede da Associação Comércio e Indústria, houve uma Assembléia para eleger a primeira diretoria e para escolher os elementos que redigiram o nosso Estatuto. Foram eleitos os seguintes membros: Presidente: Nino Sérgio de Rezende; Vice Presidente: Sílvia Maria Matos de Sá; 1º Secretário: Lourdes Mendonça Amaral; 2º Secretário: Noêmia de Souza Ribeiro; 1º Tesoureiro: Lauro César Nogueira; 2º Tesoureiro: Nesmar Aparecida Brazão. Conselho Fiscal: Elias José, Iracema Elias, José Carlos Gonçalves (Luta), Dilce Salgado. Para a elaboração e redação dos estatutos, foram indicados a Dra. Maria Auxiliadora Souza Viana de Almeida (Dona Ceci) e Iracema Elias. O Estatuto ficou pronto e foi aprovado pela Diretoria, em reunião, no dia 06 de maio de 1987, sendo registrado no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas sob o número 112, página 286, do livro A, em 15 de março de 1988. Tínhamos o CGC “MF”, sob o número 19.055.268/0001-59. Em 16 de novembro de 1988, estávamos registrados no Ministério da Cultura (MINC), sob o nº 31.005.640/88-11 e podíamos receber doações e fornecer recibos de acordo com a Lei Sarney nº 7.505, de 02 de julho de 1986.

A fim de conseguir nossa sede social, recorremos, inutilmente, ao Bispado, na tentativa de aproveitar a Capela (para Museu), o salão e salas se aula do antigo Colégio Imaculada Conceição, espaço, na época totalmente ocioso. A recusa das autoridades eclesiásticas sempre pareceram estranhas para nós e para elementos influentes da comunidade, uma vez que foi a mesma quem doou aquele prédio à Irmandade Concepcionista.

Tentamos, com a Prefeitura, vários outros prédios, como o histórico Palácio das Águias, que hoje se encontra irremediável para uma restauração e, que, na época, poderia ter sido adquirido pelo poder público.

Em agosto de 1988, por sugestão do Sr. Aníbal Ribeiro do Valle, começamos uma campanha para conseguir, para nossa sede, a antiga Estação Ferroviária da FEPASA. Fizemos vários documentos para autoridade da FEPASA e do Governo do Estado de São Paulo. Tentamos sensibilizar a comunidade guaxupeana com uma campanha que tinha por “Slogan”: A ESTAÇÃO É NOSSA. As nossas reivindicações eram fundamentais em escritura de doação do terreno para que a antiga Mogiana, que dizia que uma vez desativada a Companhia, seus bens retornariam para a municipalidade.

Com a eleição de posse do Sr. Antônio Felipe Zeitune, a Estação da FEPASA foi utilizada para o bem público da cidade, sendo oferecido para nós o salão maior, que recebeu o nome de Espaço Cultural Dr. José Ribeiro do Valle (Dr. Juquita), tendo sido inaugurado em 1º de junho de 1990.

Guaxupé/Dezembro/1991

Texto extraído do livro Guaxupé Memória Histórica. A Terra e a Gente.

Elaboração de Moacyr Costa Ferreira, Venerando Vieira Ribeiro e colaboradores

MISSÃO

O objetivo da Fundação Cultural Guaxupé, Casa da Cultura, é promover, incentivar e realizar atividades culturais e sociais, visando a valorização das artes e dos artistas, bem como preservar a memória do município e incentivar o intercâmbio com associações do mesmo gênero.